2006/01/11

A Desgraça - J.M. Coetzee

Todos os desiquilíbrios n'A Desgraça são contidos. Tudo na sua proporção, peso e medida para não ficar grotesco ou lamechas. E no entanto mantém sempre o mesmo tom ácido, desafiante, rufia (ia dizer: que caracteriza a personagem principal, mas não é verdade - caracteriza todas as personagens, todo o livro).

Lê-se de uma penada, com gosto, com vontade de chegar ao fim. Mas o fim tem precisamente este toque ácido que acompanha todo o livro. Não se sente que desenvolva. Como se David fosse o único ponto estático.

É um livro estranho: queria que não fosse assim, mas percebo que este era, talvez o único caminho que não o desvirtuasse, que não traísse David na sua miséria autoinfligida.

A temática do morto/matado é, sem dúvida, central a este texto.

Talvez fizesse sentido falar também de castigo-perdão-misericórdia. Os castigos autoinflingidos. A forma como o perdão permite seguir em frente apesar das desgraças, construir sobre os escombros. Não falo da misericórdia. Desvendaria demasiado para quem não tenha lido. Digo só que me parece uma palavra chave deste livro, posta em sistema com as outras duas.

Ficou aquém do que eu esperava quanto ao retrato da África do Sul. Foi muto além como escritor. Que força nas personagens!

Excelente livro.

3 comentários:

nninoca disse...

É um livro estranho, sim, mas...... foi um dos livros que adorei....

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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