2007/07/11
Meme da pag. 161
Desafio da página 161, segundo estas regras:
1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blog
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
6. Passar o desafio a cinco pessoas.
And the winner is "Se tal objectivo não fôr alcançado, o desenvolvimento da sociedade da informação poderá tornar-se num poderoso factor de exclusão social."
O que é grave, já se vê.
Passo ao resto da Companhia e já chega e mais a quem quiser passar por cá. Quem já respondeu, faça favor de pôr um link nos comentários!
2007/02/27
Em nome do bem comum - Arundhaty Roy
2007/02/14
Leitores.2

As vestes brancas, a barba cuidada, branca também. Os padrões abstractos, enchendo todo o espaço, criando o espaço à sua passagem, à sua expansão. Sentado no chão, contra o rebordo de uma parede. Não é na parede o seu apoio. Toda a imagem é concentração. Os olhos perdendo-se no que contemplam. Megulhado. A palavra nas mãos, os olhos na palavra.
A Cor da Felicidade - Wei-Wei
Intérpetre de Enfermidades - Jhumpa Lahiri
Obrigado Patiblue!
70 historinhas, Carlos Drumond de Andrade
Mas gostei muito, repito.
O Impressionista - Hari Kunzru
Faz-nos pensar até que ponto somos a nossa situação.
Gostei muitíssimo de o ler. Obrigado Tuanita.
2007/02/13
Leitores e letras

Iniciamos um novo tema visual: a par de livros e bibliotecas, leitores e letras.
Para começar bem fica um retrato de Chardin, acompanhado de um texto sobre este "leitor incomum".
A ideia partiu de um post da PA.
Sugestões de imagens aceitam-se e agradecem-se.
Quatro, não, cinco livros terminados de rajada.
Foram eles: Platero e eu, The time traveler, O impressionista e Não te deixarei morrer, David Crockett e 70 historinhas.
Nos próximos dias farei as respectivas apreciações.
P.S. Aproveitarei ainda para fazer posts de alguns bons livros de 2006, ainda não referidos
2007/01/03
O Estrangeiro - Albert Camus
É a história de Meursault, um homem que vive uma vida, que talvez não devesse ser contada. Pois ele vive vazio de emoções, incapaz de sentir amor, saudade, ódio, medo, ou qualquer outra emoção. A sua vida vai-se desenrolando como se ele fosse um estrangeiro, não em relação a um país, mas em relação à humanidade. No fim o crime que comete não o leva ao fim da sua vida, o que leva ao seu fim é a falta de qualquer emoção aquando da morte da sua mãe. Mostrando-nos Camus que tudo o que fazemos num determinado momento se reflecte durante o resto da nossa vida. Outro ponto curioso deste livro é que a sua história é suspensa, ou seja, nós não sabemos o passado de Meursault, a história começa este personagem a afirmar que “Hoje a mãe morreu”, e Camus, não nos dá nenhuma pista do passado de Meursault. O mesmo acontece com o fim, nós podemos supor o que se vai acontecer, apenas supor porque o autor deixa em aberto o que acontece a Meursault.Um livro que sempre me despertou a atenção, mas que por ironia do destino nunca tive a oportunidade de ler. Bem, pelo menos até à 1 mês atrás, altura em que o encontrei à venda e não perdi a oportunidade.
A experiência não começou nada bem, por devido a uma grande dose de insensatez, o editor decidiu colocar um critica feita por Jean-Paul Sartre como introdução. Um grande erro, porque a critica de Sartre é aquilo que uma critica deve ser, contando partes do livro, dando-nos conta de sequência, dando-nos conta do que Sartre considera os pontos-chave, a sua interpretação e levando-nos a antever parte do final da obra. Ou seja, antes de ler o livro, eu já sabia o que ia acontecer. Assim à medida que eu ia lendo O Estrangeiro a minha única interrogação era quando é que isto ou aquilo ia acontecer. Enfim, uma grande falta de sensatez, que mata o grande prazer de ler um livro, que é o prazer da descoberta.
O livro em si é estranho em parte devido “àquilo” que Sartre caracteriza como “uma escrita cheia de silêncios”. È o primeiro livro do estudo do absurdo que irá acompanhar Camus durante grande parte da sua carreira.
2006/10/07
O Pêndulo de Foucault – Umberto Eco
Um grupo de amigos decide fazer um estudo. Um estudo de todas as teorias esotéricas que pululam pela imaginação da civilização. Procuram conhecer “estórias” da Maçonaria, dos Rosa-Cruzes, dos Templários, etc. Enfim de todas as sociedades secretas que chamam a curiosidade tão normal, das coisas ditas “secretas”. A grande particularidade do estudo feito pelas personagens é que grande parte do que escrevem é fruto da sua imaginação, ou seja, eles próprios vão construindo o fundamento destas sociedades e utilizando uma lógica muito própria eles vão criando ligações entre tudo o que é esotérico, criando assim um mundo fictício. Até que o impensável acontece, esse mundo existe e eles acabam por se emaranhar nesse mundo, que nada mais é do que a concretização da sua ficção…pode parecer estranho isto que eu disse, para se perceber melhor, só lendo o livro.Umberto Eco escreveu mais um excelente livro, que nos mostra a visão que ele tem dos esoterismos, sociedades secretas e teorias da conspiração. Que todos não passam de criações de homens sem fé, que têm que sentir um “mundo próprio”, cheio de mistérios tangíveis só por uns eleitos, para que a sua crença faça sentido. Fazendo da vida uma busca infinita de um conhecimento fantástico, que quando se chega a uma meta descobre-se que essa meta foi apenas uma etapa e que esse conhecimento afinal está mais além, sempre mais além. Claro que mais uma vez, Umberto Eco, não perde a oportunidade de voltar a mostrar qual a sua visão de Deus, como aliás faz em vários dos seus livros.
Um livro magnífico, muito denso, mesmo complicado de ler em certos pontos, em que duas passagens são essenciais, mas que no fim todo faz objectivamente sentido, uma obra de mestre que vale a pena ser lida.
Como última consideração apraz-me fazer uma pequena provocação, dizendo que tenho a certeza que Dan Brown leu o O Pêndulo de Foucault, só foi pena que tenha parado a meio…
2006/09/18
Alafce?! Prefiro rúcula!
Na verdade repugnou-me um bocado a ideia de eu, que não sou nenhuma especialista, vir aqui dizer mal do que outros escreveram e alguém publicou. O que, a juntar à insegurança de nascença, sempre apoiada pela frase familiar “esta miúda tem cá um mau feitio!”, me fez sempre recuar perante a ideia de assumir as minhas desventuras literárias por escrito e à vista de quantos por aqui passam.
No entanto, chame-lhe mau feitio quem assim o entender, algo abalou estas convicções este fim-de-semana...
Alface... conhecem?
Eu desconhecia, ao que parece é o pseudónimo de João Alfacinha da Silva, emprestaram-me o último livro dele, “A mais nova profissão do mundo”, com a melhor das intenções - “vais ficar surpreendida, pelo que dizem é uma descoberta, reinventa o Português e é divertidíssimo.” - expectativas elevadas portanto, pensei eu que desconfio sempre do que os críticos da nossa praça dizem até prova em contrário. Já 'de pé atrás' pego no livro e começo a ler os pequenos contos, tentando disfarçar a desilusão crescente no meu espírito (afinal o livro tinha sido comprado pelo meu marido, com a intenção de o lermos no fim-de-semana que se cria de boa disposição).
Avancei, li mais uma, outra, e ainda outra à procura do tal “português reinventado e divertidíssimo”, mas nada... a meio do livro acabei por desistir “isto, de facto, não faz mesmo o meu estilo e quanto ao português a única coisa que encontro é o uso corrente de uma linguagem brejeira, vulgar, e expressões ordinarias, que compreendo seja muito divertido para alguns, mas a mim, não me diz nada”, e passei para o meu “Kafka – Na corda bamba” mas não sem um certo amargo de boca e uma interrogação que não me largava, terei sido presunçosa?
A resposta veio em breve quando o meu marido, depois de uma tentativa de descobrir o escritor do século pousou silenciosamente o livro na mesa de cabeceira e sussurou “de facto não tem nada de especial”.
Mau feitio ou não Alface, não faz o meu género!
Continuem em Boa Companhia!
2006/09/13
70 histórinhas - Carlos Drummond de Andrade

Esta é uma compilação de contos dos mais variados temas e de todos os géneros. É um livro 'leve', facil de ler, daqueles que todos (ou quase todos) conseguem, sem esforço, começar e acabar.
Pessoalmente gosto muito de Contos e, embora algumas das histórias aqui apresentadas não cheguem às duas páginas de texto, todas têm uma estrutura lógica, o que prova que não é a quantidade que conta, mas sim a mestria com que se consegue relatar um acontecimento sem entrar em grandes enredos novelescos que, às vezes, só complicam e não beneficiam em nada a obra.
De todas estas 'histórinhas', como lhes chama o autor, a que me ficou a ecoar na cabeça dias sem fim (quiça por identificação com os personagens) foi a segunda 'Nascer' que conta a história de um casal...
"O filho já tinha nome, enxoval, brinquedo e destino traçado(...) tudo isto o menino tinha, mas não havia nascido." Pág. 5
Como a maioria de compilações de Contos, é um livro tão agradável como inconstante, capaz de nos levar do riso ao amargo de boca num simples virar de página. Vale a pena ler.
Continuem em 'boa Companhia'!
2006/09/04
Astronomia
Livros e bibliotecas
Editado para acrescentar: ó pra ele o centésimo post do Companhia!
2006/08/16
António no outro lado do mundo - Malachy Doyle
Terapia do Amor Conjugal - Valerio Albiseti
Este não é um qualquer livro de auto-ajuda, assente em vulgaridades e vacuidades. Com um discurso muito centrado na experiência do autor na terapia de inúmeros casais, as suas propostas não só fazem sentido como parecem ir ao essencial de uma forma muito acutilante: o desenvolvimento de competências de comunicação no casal, o valor da verdade, o crescimento comum, são pontos marcantes deste livro que podem ajudar a limar arestas e a construir melhores relações.
Vendidas - Zana Muhsen
Mais do que a brutalidade da ideia de alguém vender as próprias filhas, coloca-se aqui um problema de direitos humanos e de liberdade.
Uma visão superficial das relações entre civiliações pode levar-nos a partir do princípio que haverá entendimento mínimo em relação a determinadas matérias, que parecem adquiridas: direitos do Homem, igualdade entre sexos, liberdade.
O problema é que claramente não é assim. Será que estes valores - que nos parecem essenciais - não são superiores à "civilização" ou "maneira de viver" de um regime que não os respeite?
Que formas de pressão podem ser utilizadas nesse sentido?
Pensamentos Secretos - David Lodge
Por um lado eu gosto imenso da sua forma de escrever:
- é um escritor informado (nota-se que os livros dele passam por uma pesquisa e uma reflexão profundas)o que vai sendo pouco habitual na maior parte dos livros e autores que para aí andam;
- é um escritor versátil quanto à forma (escreve através de diálogos, cartas, diários, guiões, narrações na terceira pessoa, etc), o que dá novas dimensões aos seus livros, na medida em que apresenta "diferentes lados" da história, vistos das perspectivas de outras tantas personagens;
- é um escritor cheio de humor, de um humor mordaz, difícil por vezes, por vezes amargo, irónico. Não são muitos os escritores sérios que sabem rir-se de si e das suas personagens. David Lodge é, a este nível um excelente cómico!
Por outro lado, parece-me que a sua visão do mundo, da religião, da sexualidade, pretendendo mostrar-se madura , é, na realidade, simplesmente distorcida. Todas as relações monogâmicas tendem a "evoluir" para o adultério, todos os crentes são velhos ou se o não são andam com dúvidas e se não andam com dúvidas é porque ainda não leu o suficiente. É um universo de relações muito áridas, muito superficiais e, ao mesmo tempo, muito insatisfeito. Não há personagens felizes nos livros do David Lodge.
Porque será?
2006/08/11
To Kill a Mockingbird - Harper Lee
Foi um livro que gostei imenso de ler. É daqueles que entrará para a minha lista de favoritos sem a menor dúvida. Daqueles que gostava de ser lembrado por recomendar aos meus filhos.
Há três registos distintos que gostei particularmente no livro.
A crónica de costumes, onde ressalta a questão do racismo, parece uma realidade tão distante e tão antiga que quando às tantas há uma referência ao Einstein senti aquilo como um anacronismo. Depois realizei que não, não havia qualquer anacronismo: era no sec. XX que a acção se passava.
A infância e a forma como a narradora escreve desde uma mentalidade infantil. Está muitíssimo bem escrito, sob este ponto de vista. São poucos os escritores que o conseguem fazer bem. Assim de repente só me ocorre o José Mauro de Vasconcelos!
E finalmente, aquela figura parental. Impressionante a forma como educa e como se relaciona. Este tema é-me muito caro, hoje em dia, e o Atticus é uma personagem - tenta-me escrever uma personalidade - muito completa.
Gostei muito de ler este livro, Conto, mais uma vez muito obrigado.
Livro da Treta - Filipe Homem Fonseca; Eduardo Madeira; Rui Cardoso Martins
O livro é óptimo, verdadeiramente hilariante. Altamente desaconselhado para ler em sítios públicos. Dei por mim várias vezes a não conseguir conter o riso. O que vale é que não me importo: rir é bom.
O regresso do Menino Nicolau - Sempé/Goscinny
Fico ansioso pelo nº 2 - Eu sou o maior - que já tenho lá em casa. Estou só a espaçá-los um bocadinho - para durar mais!
Optimismo - Francesco Alberoni
Ao mesmo tempo tenho que dizer que os textos são assim uma mistura de calda de açucar com canja de galinha que não chega propriamente a merecer discordância. Ninguém discorda de um discurso vago, assente no senso comum. Mas para quê lê-lo? Se o livro fosse maior, tinha focado a meio. Tem essa qualidade: é pequeno.
Sinceramente, não gostei do livro e foi para mim uma enorme desilusão porque já ouvi bons comentários sobre outros livros dele, que ainda não me dei ao trabalho de ler. Mas depois deste fiquei sem muita vontade...
Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma - Irene Lisboa
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo - Germano Almeida
2006/08/08
A Misteriosa Chama da Rainha Loana - Umberto Eco
O tema deste livro é a história de Yamo, um homem que acorda após um AVC. Quando recupera lembra-se de tudo sobre história, literatura, cinema, música, pois toda a memória semântica de Yamo está perfeita. O único problema é que não se lembra de si próprio, ou da sua família, amigos e colegas, em suma, não se lembra da sua própria história. Encorajado por sua mulher, parte ao encontro da sua vida para a casa dos seus avós, onde não voltava desde a morte dos seus país e avô. Ai no meio de brinquedos, livros de banda desenhada e discos de vinil de 78 rotações tenta reencontrar-se. Uma sucessão de acontecimentos levam Yamo a uma recaída e sofre outro AVC, mas desta vez mais forte. É durante o seu coma que se recorda de tudo e volta a reencontrar-se com a sua história, levando-nos a viver as aventuras da sua infância e a história do período da queda de Mussolini. Fazendo no meio de tudo isto, o leitor sentir um pouco da cultura dos meados da década de 40.Eu já sabia que Umberto Eco é um dos poucos que pinta com as palavras! E esta obra é bom exemplo disso mesmo, pois as imagens que nos são descritas nada devem às gravuras do livro. Penso até que a presença das gravuras servem para reafirmar a genialidade e superioridade da escrita de Umberto Eco. De referir, que ao contrário de outros livro de Umberto Eco que eu li, este é aquele que tem a escrita menos densa, sendo portanto de mais fácil leitura.
2006/07/27
O sumiço da Santa, uma história de feitiçaria – Jorge Amado
O romance é muito divertido, por vezes sinto que perco um pouco o pé por desconhecer pessoalmente a realidade de que ele fala, a Bahia e todos os seus mitos. Ele também não explica muito, como se o mistério fosse o mais importante e mesmo assim, quase nada, quase nada, deixa para lá, entra no ritmo, dois para cá dois para lá: isso aqui é um pedacinho de Brasil, desse Brasil que canta e é feliz, feliz, feliz ...
2006/07/21
O Senhor Ferdinand - Agnès Guldemont e Carll Cneut
Catarina e o urso sem rumo pelo mundo - Christiane Pieper

Este livro é um encanto. Tem ilustrações deliciosas e vale sobretudo por elas: são vivas, expressivas, interessantes! A história sofre (ou participa?) da falta de rumo da Catarina (e do urso) mas quem é que disse que todos os passeios servem para chegar a algum lugar? Era tão bom às vezes poder sair, assim, com a companhia de um urso amigo, sem rumo pelo mundo... :)
Editado para acrescentar: o meu filho, que tem 22 meses, já me anda a ensinar a ler livros. Ontem ensinou-me que este livro se pode ler com o corpo, imitando as posturas da Catarina (ele) e do Urso (eu!). Nunca tal me teria passado pela cabeça. As virtualidades de um olhar sem preconceitos!
O Confessor - Daniel Silva
O enredo é bastante óbvio e o desenlace também.
A propósito da história ressaltam duas ideias, repetidas à exaustão:
a) o silêncio do Vaticano quanto ao holocausto;
b) a justificação do Estado de Israel.
Nenhuma das questões em causa é tão simples como o autor quer fazer parecer. A "desculpa" de que estamos perante um romance também não colhe: quem quer fazer um romance histórico - e não há dúvidas quanto a tais pretensões neste caso - deve ser exacto quanto aos dados que promove e às teorias que defende. Neste livro não há rigor histórico Apenas páginas e páginas de propaganda.
Talvez um dia se escreva um livro sobre o silêncio do Ocidente diante do conflito do Médio Oriente.
Se eu fosse muito alto – texto de António Mota ilustrações de André Letria
Este é um tipo de pergunta que estimula muitíssimo a imaginação. O tipo de variações são virtualmente ilimitadas: se eu fosse muito baixo, se eu voasse, se eu fosse um animal, se eu fosse rei, se eu fosse pai, se eu fosse... e por aí adiante. Estes exercícios obrigam as crianças a uma ginástica mental óptima: chama-se imaginação. Neste caso obriga-os a colocar-se naquela situação e a imaginar como seria o mundo para elas nesse caso. Os pais até podem fazer a história ao desafio: cada um dá uma ideia do que faria ou aconteceria naquela situação.
Gostei deste livro ainda por outra coisa: é que a maior parte das coisas que o autor faria, se fosse alto, era pôr a sua altura ao serviço dos outros: compôr antenas, limpar chaminés, apanhar balões... e esta ideia é muito interessante, também, para explorar com os miúdos: o autor se tivesse aquela qualidade punha-a ao serviço. E tu? Quais são as tuas qualidades? Como é que as podes pôr ao serviço? As características de cada um podem até parecer ser defeitos e tornarem-se qualidades, se encontrarmos a sua utilidade, a forma de as pôr ao serviço. É uma questão de optimismo: se uma garrafa estiver completamente vazia, um optimista não se concentra nesse vazio mas na possibilidade de mandar com ela uma mensagem, de com ela recolher água na fonte, de todas as utilidades que ela pode trazer.
O Meu e o Teu

Este fantástico livro é para se visto de olhos bem abertos (como dizia o outro) para não deixar escapar nem um bocadinho da genialidade das ilustrações de Almud Kunert que joga com o texto de Peter Geißler às mil maravilhas.
2006/07/18
Os Lugares de Maria - Margarida Botelho
2006/07/17
Ainda nada?

"De manhã, bem cedo o Senhor Luís abriu um buraco ENORME na terra(...)"
Imaginem que plantam uma semente na terra e que têm tanta, tanta, mas tanta vontade de a ver crescer que não querem perder nem um bocadinho do seu crescimento...
Assim estava o senhor Luís, cheinho de vontade de ver a sua semente creser e virar flor! Mas de tanto esperar a sua paciência começou a faltar e a cada manhã que a ela se abeirava maior era o seu desânimo: "Ainda nada?"
Esta é uma história para ensinar a esperar que o tempo corra e com ele as mudanças aconteçam. Para miúdos e graúdos, para contar, inventar, acrescentar, brincar, enfim... ler de preferência em voz alta e bem acompanhado!
De Christian Voltz com ilustrações bem ao estilo da Kalandraka.
Comtinuem em boa Companhia!
2006/06/28
Fiz das Pernas Coração

Esta é uma antologia de Contos Tradicionais Portugueses, ‘nascidos’ da tradição oral cada vez mais adormecida nos nossos dias. Alguns destes contos fazem mesmo parte da memória de histórias contadas durante a infância do autor (José António Gomes) por ‘tias’ e outras figuras que tanta falta fazem hoje no imaginário das nossas crianças.
É um livro engraçado pela diversidade e originalidade de contos onde coabitam saudavelmente os ‘tontos’ tão comuns na nossa literatura oral, com o com as Mouras e os seus encantos. É de referir que o autor é do Algarve e a infância algarvia adivinha-se nas suas escolhas, coisa que não prejudica em nada o livro, até porque o próprio faz referência à sua terra natal.
“Na selecção dos textos, procurei contemplar diferentes tipos de narrativas, nomeadamente os contos de encantamento, as histórias de animais, as lendas e as facécias. Sendo esta última uma categoria em que a nossa tradição oral é, a meu ver, particularmente rica, optei por lhe dar algum relevo, na convicção também de que o carácter jocoso e burlesco de tais contos poderia conferir à colectânea uma tonalidade mais humorística do que é habitual em obras deste tipo.” Pág. 4
Dos contos deste livro, deixo uma refência especial para dois que, a mim, me encantaram.
“As Senhoras da Mantinha de Seda” - Pág. 27
“Conto da Pêra de Ouro” - Pág. 33
Continuem em boa companhia!
2006/06/22
Um ano em boa companhia
Agora, ao soprar as velas, gostava de pedir mais participação, mais comentários, mais livros. Espero que seja do interesse de quem nos lê, gostava de ter maior feed-back.
Sei alguns dos erros que temos: posts muito espaçados, com uma avalanche repentina quando há tempo para isso. Vamos tentar ser mais constantes.
Para que saibam: gostámos muito de estar na vossa companhia.
Coelhinho branco - Conto popular adaptado por Xosé Ballesteros
2006/06/21
Eu não tenho sono e não vou para a cama - Lauren Child
Carlota Barbosa, a bruxa medrosa - Layn Marlow
Onde perdeu a lua o riso? – Miriam Sanchez
O trocadilho é um bocadinho forçado, já que lua não é propriamente um nome usual para dar às crianças e tão pouco é bem explorado ao longo do livro (não se desenvolvem paralelismos entre a menina e astro que justifiquem aquela identificação). É, apesar de tudo, um livro que fala das relações familiares, em particular entre irmãos, de uma forma agradável. Mas fica aquém daquilo que promete.
A Maior Flor do Mundo - José Saramago
Histórias para contar em 1 minuto e ½ - Isabel Stilwell, com a colaboração especial de Francisco e Madalena Stilwell
Ao mesmo tempo, e sempre fugindo à tentação das histórias moralistas, o livro vai resolvendo pequeninas questões: o medo do escuro, as birras á noite, não ter nada para vestir – apesar dos armários estarem cheios. É um livro a guardar perto de nós. Uma última nota: o Manual de instruções é muito interessante.
Outra nota ainda, esta já não sobre o livro: a edição é muito boa, de uma editora que eu não conhecia mas que espero que mantenha este nível de qualidade, literária e de edição.
Tio Lobo – Conto popular adaptado por Xosé Ballesteros
Sinceramente, fiquei perplexo. Depois vi o nome da colecção e não pode deixar de rir com a ironia... chama-se livros para sonhar!
Avós – Chema Heras
Uma história de valores sem falar de valores, que procura o essencial, que às vezes queremos esconder. Vale mesmo a pena.
Conspiração – Dan Brown
Depois li – não comprei - o Anjos e Demónios que achei burlesco. O estilo de escrita é o mesmo, o enredo é de uma proximidade exasperante, a única diferença – para muitíssimo pior está - no final, espalhafatoso, hollywoodesco, americanado.
Pura literatura de aeroporto.
A Conspiração – curiosamente lido em grande parte em Aeroportos – é fiel ao seu autor: a história é a mesma, as personagens andam muito próximas, o mau da fita é o mais óbvio, sinceramente, é tão idêntico aos outros que nem se pode dizer que decepcione.
Há dias em que me apetece comer hamburgueres. Faz sentido queixar-me de não me servirem bife da vazia? Os hamburgueres sabem sempre ao mesmo. E depois?
O que eu não estou disposto a fazer – e já não fiz com este livro – é comprar um hamburguer ao preço de um bife ou mais caro, e ainda dizer que é a melhor coisa que já comi. Não: é junk food e ponto final.
A Conspiração é literatura de plástico, feita para formato de bolso. Só é pena ser tamanho bigmac – e estou a falar da extensão do texto, não da edição, feita como se de um livro a sério se tratasse.
Casamento para um tempo novo - Antonio Vasquez
Ensinar a pensar - António Jiménez Guerrero
Grande parte deste problema tem sem dúvida a haver com a incapacidade de compreender e se expressar em português.
Mas outra grande parte tem a ver com falta de bases lógicas e com aceitação acrítica dos argumentos, sem questionar as suas permissas de base.
Não posso dizer que concorde com cada palavra do que está escrito neste livro, mas também é um facto que ele tem muitos méritos. Desde logo, o mérito de abordar este tema, tão inusual nos dias de hoje. Também o facto de estar escrito de forma simples com variadíssimos exemplos ajuda uma fácil leitura e aquisição do seu conteúdo. Finalmente, as técnicas descritas são, na sua maioria muito úteis.
Tem também alguns defeitos: por vezes parte de um sistema algo “fechado” de abordagem das coisas e deixa algumas “promessas por cumprir”. Gostaria de ter visto mais desenvolvidos algumas questões como por exemplo a das falácias e da sua desmontagem, ou outras abordagens como a do pensamento criativo, a imaginação, a capacidade de descrição.
Quem lida diariamente com miúdos sabe até que ponto estas capacidades estão pouco estimuladas e consequentemente pouco exercitada e pouco desenvolvidas.
Outros autores falam, a este propósito em obesidade mental.
2006/06/16
A criança em ruínas

Posso dizer que a leitura não é simples e está longe de ligeira (o que, na minha opinião, só abona a favor do livro). Pelo contrário, é trabalhosa e requer uma grande envolvência, quase íntima, com cada palavra.
Este livro não se deixa florir com o simples gesto de folhear as páginas, é preciso tempo para ler até ouvir o ritmo certo de cada estrofe, que não se impõe, deixa-se descobrir a quem o quer encontrar. Mas não essa, afinal, a magia da verdadeira Poesia?!
É como se José Luís Peixoto quisesse ter a certeza que quem lê os seus poemas se dá ao trabalho de realmente os ‘ouvir’. O hábito de ler silenciosamente é razoavelmente recente e no caso deste livro, e porque não dizer em todos (ou pelo menos quase todos) essa modernidade fez perder parte do encanto do texto escrito. Dá muito mais trabalho e é muito mais difícil ouvir palavras ditas de lábios cerrados...
Como sempre, tive de lutar com a minha dificuldade em escolher uma pequena amostra “Como isolar um sabor de um bolo de várias camadas feito?” A escolha inicial era o poema que já referi, mas essa por tão óbvia peca pela facilidade. Assim deixo aqui este raminho de cheiros para aguçar o apetite.
“ainda que tu estejas aí e tu estejas aí e
eu esteja aqui estaremos sempre no
mesmo sítio se fecharmos os olhos
serás sempre tu e tu que me ensinarás
a nadar seremos sempre nós sob
o sol morno de julho e o véu ténue
do nosso silêncio será sempre o
teu e o teu e o meu sorrizo a cair (...)” Pág. 14
2006/06/01
O Fio Da Navalha - Somerset Maugham
Laurence Darrel é um combatente da primeira guerra mundial que viu morrer o seu melhor amigo por ele. Este choque provocou em Larry o desejo de compreender o sentido da vida e partir da vida confortável que o conformismo lhe oferecia. Desfaz o noivado com Isabel e parte por esse mundo fora. Na busca do seu objectivo começa por frequentar obsessivamente bibliotecas, vive num mosteiro, trabalha numa mina de carvão, trabalha como lavrador à jorna e chega até a viver na Índia como eremita onde atinge a "iluminação".Os outros personagens representam os outros contrastes do mundo, desde aqueles que consideram a cultura uma posse exclusiva de uma elite estanque, em que ser culto é uma condição que se deve ao “status” e não por ter conhecimentos, considerando todos fora da sua esfera como pobres analfabetos. Até aqueles que buscam a autodestruição devido às agruras que a vida lhes ofereceu. Maugham expõem aqui toda a mesquinhez e futilidade de um “jet-set” do inicio do século XX, cujo sofrimento é banal e insignificante face a quem realmente sofre e que também por isso, caminhava a passos largos para a decadência, numa América do Norte e Europa em constante mudança e instabilidade.
Numa visão mais ampla este livro é um confronto de um mundo velho contra aquilo em que se transforma, um instável mundo novo que busca novos caminhos em diferentes direcções. Partindo desde o fim do primeiro conflito mundial e os “loucos anos vinte”, passando pela crise de 29 e chegando até aos meados da década de 30 do século XX.
O autor Somerset Maugham é um dos personagens que estabelece a ponte entre todos os outros personagens numa escrita fantástica, que nada deixa ao acaso. Brinca com todos os pormenores, mas sem fazer descrições maçadoras, conseguindo fazer com que o leitor sinta todos os ambientes descritos no livro, que acaba por se tornar numa agradável companhia.
2006/05/31
A Invenção do Dia Claro - Almada Negreiros

O meu maior problema com este comentário é lutar contra a vontade emergente de transcrever na totalidade os textos de Almada sem deixar uma só palavra de fora. Isto porque o livro é um todo formado por III Partes seguidas pelas "Démarches para a Invenção" e acompanhadas por "Confidencias mais Intimidades Geraes" que, se tiradas do seu contexto perdem não só em significado, como em termos rítmicos e até metafóricos. Além disso, a minha vontade era mesmo partilhar com todos o prazer imenso que retiro desta leitura!
"Entrei numa livraria. Puz-me a contar os livros que ha para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.
2006/05/18
Se Numa Noite de Inverno Um Viajante - Italo Calvino

2006/05/15
Un papá a la medida - Davide Calí
É um livro delicioso, daqueles que se lêm com todos os sentidos! É daqueles que pede para ser contado com o livro bem pertinho para que quem ouve se possa maravilhar com as belíssimas ilustrações de Anna Laura Cantone.
Continuem em Boa Companhia!

Canto de Mim Mesmo - Walt Whitman
De alguma forma tenho que admitir: é uma realidade que sinto alheia.
2006/05/10
Eu não fui - Christian Voltz
A história é simples, as ilustrações são deliciosas... aconselho vivamente!
O Circo da Lua - André Gago
Estorvo - Chico Buarque
O pai no tecto - Maria Teresa Maia Gonzales
2006/05/04
The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories - Tim Burton
Já tenho este comentário 'pensado' há algum tempo, mas deparo-me sempre com uma dúvida existencial incontornável:-Como explicar o que sinto sobre este livro?!
Para mim este pequeníssimo livro é genial embora de uma crueldade mordaz, é fantástico (em toda a amplitude da palavra) embora não deixe de ser bizarro, posso mesmo dizer que chega a ser mórbido sem, contudo, deixar de ser simplesmente lindo...
Mas esta é a minha opinião ou melhor, esta é provavelmente a opinião de todos os que se identificam com o imaginário do homem que criou filmes, como por exemplo, Big Fish, Eduardo Mãos de Tesoura, O Estranho de Mundo de Jack ou A Noiva Cadáver...
E os outros, o que acharão os outros (aquelas pessoas estranhíssimas que não estão dentro da órbita deste planeta fantástico povoado por seres estranhos e onde a maldade é vizinha do acaso, que por sua vez é irmão da beleza...)?!
Bem, na verdade, a opinião desses é-me indiferente...
Fiquem em boa companhia!
2006/05/03
Grávida no Coração - Paula Pinto da Silva

Publicado pela Campo das Letras, este livro vai directo ao assunto: de que massa se faz a maternidade e a paternidade. A leitura do livro é muito rápida, o texto sintético, organizado em pequenos diálogos mãe/filho. Aconselho vivamente. A mim tocou-me muito. A outros não, pelos vistos. Concedo que as ideias não são novas: são provavelmente tão velhas como a maternidade e a paternidade mas - que querem? - é exactamente assim que eu me sinto - grávido no coração - em relação a todos aqueles que assumi como filhos.
2006/04/26
José Afonso - Textos e Canções
Esta é uma referência que não poderia deixar de fazer. Com ela festejo Abril e a liberdade de ler, publicar ou tão pouco comentar.É uma compilação da obra poética de José Afonso organizada cronologicamente (por Elfriede Engelmayer) que nos presenteia, não só com os poemas que nos povoam o imaginário colectivo das Canções de Intervenção, mas com tantos outros textos/poemas 'não musicados' e, por isso desconhecidos.
A leitura destes últimos, permite um olhar muito mais profundo, mais íntimo e a descoberta do poeta para além do cantor.
"A possibilidade de acesso à obra de um artista é a condição «material» para que elenos seja presente(...)" (Nota Prévia - Pág. 8)
Aqui deixo um cheirinho (de alecrim) :
A palavra gatinha
Sem nada por cima
A palavra rompe
investe
perfura
Comprida a palavra perde-se
Em redor da mesa reveste-se e organiza-se
A palavra precisa de ternura
(A Palavra - Pág. 151)
***** ***** ***** *****
Nefretite não tinha papeira
Tuthankamon apetite
Já minha avó me dizia
Olha que a sopa arrefece
Nos funerais de antanho
As capicuas gritavam
E às escuras na cozinha
Já as galinhas dormiam
Manolo era o rei do fandango
Do fandaguilho picado
Maria se fores ao baile
Leva o casaco castanho
O rei João era dos tesos
Chamavam-lhe João dos Quintos
Lá na terra brasileira
Vinham quintais de Ouro Preto
Em suma a soma interessava
A quem interessa algum dia
De lingotes e pimentas
Ainda vamos ao fundo
Lá para o reino da Arábia
Havia amêndoas aos centos
Que grande rebaldaria
E a Palestina às escuras
Os Sheikes israelitas
Já que estou com a mão na massa
Lembram-me os Sheikes das fitas
Que dão porrada a quem passa
(Nefretite não tinha papeira - Venham mais cinco- Pág. 242)
Fiquem em boa companhia!
2006/04/20
Quando Nietzsche chorou - Irvin D. Yalom

Há muito que dizer sobre este livro e o seu escritor Irvin D.Yalom, que eu desconhecia em completo. Tentarei ser concisa (coisa que me é difícil) e não estragar futuras leituras...
Começo por dizer que a leitura se torna, eventualmente, mais estimulante para quem já se encontrou com Nietzche e, em algum ponto da sua vida, teve o tempo e a vontade necessários para conhecer o Super-Homem e o Zaratustra. Mas, por outro lado, quem os desconhece ficará, por ventura, com vontade de os procurar.
Adorei a discussão filosófica transversal a todo o livro, que desvenda aos poucos o estranho, cruel e áspero Nietzche "É preciso ter caos e frenesim dentro de si para dar à luz uma estrela dançarina." (Pág.191)
Eu diria mesmo que é este o ponto alto do livro, a dialéctica entre o homem que matou Deus e leva esse peso às costas e o homem comum (que "tem mulher e filho e tralha e tal") com as questões e dúvidas existenciais comuns dos homens de quarenta anos. E essa discussão é feita, magistralmente, mantendo a força dos monólogos intercalados nos diálogos, dando-nos a possibilidade de 'ouvir' cada interveniente sem perder o seu diálogo interior.
Claro que a rota final do livro é uma verdadeira montanha-russa de emoções, mas quanto a mim acaba por pecar um pouco pelo simplismo com que é dada a volta final.
Pareceu-me que a questão da 'descoberta de um tratamento para o desespero através da conversa’ e a participação de um tal aspirante a médico de nome Freud funcionam mais como estandartes publicitários para o romance do que propriamente parte integrante da acção.
A abordagem das relações humanas, como a amizade, o amor e a sexualidade baseadas numa relação de poder dominante/dominado; a solidão e a capacidade de viver em sociedade sem nos deixarmos 'levar ou afogar' por ela são, para mim, as verdadeiras pérolas deste livro.
Fiquem em 'boa companhia'!
Adeus às Armas

Devo também dizer que achei estranho o facto de ao ler este livro ir encontrando umas certas semelhanças com outra obra comentada neste blog. Uma obra que gostei bastante, mas que depois de ler o “Adeus às Armas” senti uma certa desilusão, porque me pareceu que José Rodrigues dos Santos mostra um profundo conhecimento da obra de Hemingway, ou pelo menos desta obra de Hemingway
Mas deixo para os nossos leitores a curiosidade e o juízo. Termino dizendo que esta foi a 3ª obra de Hemingway que li e que até agora gostei de todas. Como as anteriores “Adeus às Armas” vale a pena.
2006/04/18
Ish - Peter Reynolds

Bem, esta é a primeira vez que faço companhia às letras (ou será, tenho a companhia das letras?!) e por isso estou um tanto perdida sem saber bem que letras escolher para acompanhar as que por aqui costumam passar...
Assim, escolhi a companhia de um livro que me mostrou que não devemos ter medo de tentar, de avançar, de nos mostrar. Se isto não for bem um Post, será certamente um "quase-post"!
Em espanhol chama-se 'Cuasi', em português seria (caso estivesse traduzido) 'Quase' e é a história de um menino que adora desenhar mas que um dia, provocado pelo gozo do seu irmão mais velho, percebe que não consegue desenhar as coisas como elas realmente são e decide pousar o lápis. Até que a sua irmã mais nova...
É um livro aparentemente infantil (como quase todos os que assim são classificados), mas que leva uma mensagem que toca a todos. Não tem muitas letras, é certo, é óptimo para contar (ou ler) eu diria mesmo que é daquelas histórias - sucesso garantido.
Obrigada pelo convite e fiquem em boa companhia!
2006/04/04
Gaveta das nuvens - José Gomes Ferreira
Harry Potter e o Príncipe Mestiço - J.K.Rowning
O Lado Negro da Internet - Ivo Dias de Sousa
De todo o modo, gostei de ter lido este livro. Ajudou-me a criticar algumas coisas, a ver a evolução histórica de outras, a pensar outras ainda. É particularmente interessante ver que, efectivamente, as maiores "ameaças" da net são também as suas oportunidades mais emergentes.
DOIDÃO - José Mauro de Vasconcelos
Em abono do livro algumas notas: a personagem central é muito bonita, grande, não se contém no espaço nem no tempo da narrativa. Os barcos, a geografia, a falta de laços dão-lhe uma dimensão especial. As temáticas do namoro e da relação com o pai, como sempre, abordadas com uma enorme ternura. Finalmente, notar que este livro não é sentimentalista.
Valeu muito a pena tê-lo lido. Veio confirmar o óbvio: o enorme escritor que é o JMV.
Intensidade - Dean Koontz
Não é um policial, uma vez que não há qualquer mistério a resolver, não se pode dizer que tenha muitas surpresas, porque tudo parece desenrolar-se naturalmente, ligeira excepção aos veados da história, que eram dispensáveis.
Ainda assim a tensão é constante, vibrante, crescente.
Intenso.
Gostei muito, fiquei com vontade de conhecer melhor este autor.
Conselhos do Coração - Dalai Lama
Gostei muito da maneira como está escrito, por ser uma forma simples, divertida, leve de falar com rigor da vida de cada um.
Penso que a Igreja, em especial a Igreja Católica tem muito a aprender com esta forma simples de escrever. É óbvio que não é um texto para iniciados. É um texto dirigido a "leigos e gentios". É um texto muito inteligente.
E = mc2 - A Biografia da Equação mais Famosa do Mundo - David Bodanis
Excepcional por ser um livro de ciência acessível a qualquer leigo.
Excepcional por conseguir colocar os cientistas como parte da própria ciência.
Excepcional por fazer parecer trivial, óbvias, as maiores descobertas científicas da humanidade.
Fiquei várias vezes a pensar "mas como é que eles não pensaram nisto antes"?
Fiquei no entanto com algumas dúvidas e curiosidades. Mas sei que as limitações são minhas. Para ir além disto, eu teria de ter outros conhecimentos, muitos mais conhecimentos.
Por exemplo, a questão da velocidade: ainda não percebi muito bem porque é que temos este limite de velocidade: a da luz.
Por exemplo, a transformação da energia em massa, parece muito para além daquilo que efectivamente consigo imaginar. (Curiosamente o contrário, a transformação da massa em energia, já me é relativamente fácil de aceitar)
Por exemplo, os efeitos da velocidade sobre os passageiros e os elementos estáticos fora do veículo...
É o costume... quando percebemos um pouco mais temos muito mais perguntas!!!!
Paraíso na Outra Esquina - Mario Vargas Llosa
Foi interessante de ler. Apreciei sobretudo a descrição do trabalho na época de Flora. Gostaria de ter visto as suas histórias um pouco mais entrelaçadas, penso que isso não seria difícil, apoiado em ideias chave para cada binómio A-B.
O travo mais amargo do livro é, sem dúvida a vida do Paul Gaugin. Pintor brilhante, esse tipo era um completo idiota, irresponsável, criminoso. Que pena ter lido o livro, estragou-mo um pouquinho dos quadros.
Origens - Amin Maalouf
Gostei também do Médio Oriente que podia ter sido, de que o autor quer falar, ao referir-se ao seu avô.
Tive pena que a história se cingisse a um homem - ou melhor a uma geração. Esperava, pelo início, que o autor tivesse ido além, procurasse outras gerações, deixasse um retrato de família mais completo.
Gostei particularmente da história cubana da família e da sua visita a essa história.
O início fez-me pensar um pouco nas histórias de família que deixamos entregues à erosão da "tradição oral". Restam-me dois avós e é tanto que eu desconheço das minhas origens. Tantas histórias que ouço, ainda hoje pela primeira vez. Tantas que eu ouço e relembro sem que verdadeiramente as conhecesse...! Há que aproveitar as vozes dos vivos enquanto as podemos ouvir. Depois apenas restarão as vozes dos mortos, e nem todos temos uma mala de arquivo familiar escrupulosamente desarrumado!
Pequeno Formato - Eugénio de Andrade
Vendedor de Passados - José Eduardo Agualusa
Deus das Formigas Deus das Estrelas - Remy Chauvin
Muito interessante a sua forma de chegar a Deus.
Embora nunca o tenha lido completamente, este livro fez-me lembrar o Universo Inteligente, de Fred Hoyle. Será certamente uma das minhas leituras seguintes, e fica desde já disponível (logo que eu o encontre) para quem queira completar este livro com aquele Universo Inteligente.
Vinho Mágico - Joanne Harris
Historia dos Açores - Visão Geral (secs xv a xix) - Luís Mendonça
Ajudou-me a fazer um apanhado geral da história dos Açores, mas não é um livro que eu possa recomendar. Demasiado miserabilista, fica-se sempre com a ideia de que os Açores se desenvolveram apesar da sua classe dirigente e contra ela - o que me parece um disparate completo.
Uma Cana de Pesca para o meu Avô - Gao Xingjian
Na Noite do Ventre, o Diamante - Moacir Sclair
Não gostei particularmente do fim, embora admita que não deixa de ser um final curioso.
Gostei muito, também, da ideia da editora: um livro para cada dedo da mão. Gostava de ler os restantes dedos, confesso.
Crimes exemplares - Max Aub
Este livro, confirmando inteiramente a regra, não deixa porém de ser a excepção. A descrição crua de diversos crimes, agresssões, homicídios, confere-lhe características de agressividade muito forte, de uma forma absolutamente gratuita.
Porém há que dizer duas coisas em seu favor: em primeiro lugar, que este livro é um documento interessante, que nos mostra o quanto a vida é efémera (e todos aschamos de uma forma ou de outra que ela dura a eternidade dos nossos dias). Em segundo lugar, que a escrita que os testemunhos são muito intensos. Breves trechos muito impressivos - ou não fosse o facto de cada um deles significar um homicídio. Impressionam sobretudo aqueles relatos em que claramente não houve premeditação. Houve alguém que teve um "momentary lapse of reason".
O pior é termos a sensação que podia acontecer a todos, estar de qualquer dos lados: dos que morrem e dos que matam.
Uma história suja - Luís Sepúlveda
Diz a contracapa que "LS não é um escritor neutro". Obviamente tem razão.
Independentemente de se concordar ou não com algumas das referências, críticas e opiniões do autor, fica claro que essas críticas são feitas com apelo à paixão muito mais do que à razão, ao sentimento muito mais do que ao argumento, ao fait divers muito mais do que ao facto.
LS não é um escritor neutro e as suas opiniões perdem força por causa disso. E não mereciam, muitas delas não mereciam perder força pela falta de lucidez, pela parcialidade com que estão formuladas.
Gostei particularmente das crónicas "Desculpe, D. Miguel", "As palavras e a razão" "O enigma das percentagens e dos pontos" e "Acerca da Luz"
Diário - Sebastião da Gama
De todo o modo, penso que há muito de bom a retirar deste livro. Para falar a verdade, gostei tanto dele que quero que um dia destes faça parte da minha biblioteca pessoal.
O país do Carnaval*Cacau*Suor
A descrição de uma luta - Franz Kafka
Gostava sinceramente de poder ler comentários de quem já o tenha lido.
Jaime Bunda, Agente Secreto - Pepetela
Não se pode dizer que o policial seja muito interessante, mas afinal, ele é só um pretexto.
Depois seguem-se dois registos, mais profundos, por esta ordem.
A paródia aos policiais encarnada - e bastante encarnada - em Jaime Bunda, o anti-herói.
A sociedade angolana, a viver em paralelo a ela própria , o Roque Santeiro, o mercado a sério, paralelo aos mercados oficiais, menos sériosm concerteza.
Gostei muito. O Pepetela já me vai habituando a isso.
2006/01/16
Terapia - David Lodge
Em David Lodge há uma razão fundamental pela qual eu o leio: o excelente humor, inteligente, tenso, denso, profundo com que ele escreve.
Além disto os livros dele juntam algo que vai sendo cada vez mais extraordinário nos tempos que correm: uma excelente cultura, com particular referência à literatura inglesa.
Neste livro ele demonstra um pouco de tudo isto. E muito mais.
O início do livro é de tal forma enfadonho (embora divertido) que estive quase a deixá-lo a meio. Precisamente no momento em que me preparava para dizer "não aguento mais" o livro faz uma enorme viragem (no final da primeira parte) e eu percebo finalmente um artifício, uma figura de estilo que até hoje desconhecia na literatura: a de escrever de tal forma que se induza no leitor o estado de alma que permita compreender o enredo.
Daí por diante o livro ganha asas: tudo o que se passa de seguida é alucinantemente interessante, e vários dias atrasámo o pequeno-almoço até aos limites do razoável para poder terminá-lo.
Brilhante.
2006/01/11
A Desgraça - J.M. Coetzee
Lê-se de uma penada, com gosto, com vontade de chegar ao fim. Mas o fim tem precisamente este toque ácido que acompanha todo o livro. Não se sente que desenvolva. Como se David fosse o único ponto estático.
É um livro estranho: queria que não fosse assim, mas percebo que este era, talvez o único caminho que não o desvirtuasse, que não traísse David na sua miséria autoinfligida.
A temática do morto/matado é, sem dúvida, central a este texto.
Talvez fizesse sentido falar também de castigo-perdão-misericórdia. Os castigos autoinflingidos. A forma como o perdão permite seguir em frente apesar das desgraças, construir sobre os escombros. Não falo da misericórdia. Desvendaria demasiado para quem não tenha lido. Digo só que me parece uma palavra chave deste livro, posta em sistema com as outras duas.
Ficou aquém do que eu esperava quanto ao retrato da África do Sul. Foi muto além como escritor. Que força nas personagens!
Excelente livro.
2006/01/04
A arte da guerra - Sun Tzu
A arte da guerra é um livro interessante. O problema é tentar-se extrapolar dele demasiado. É um livro de instrução militar. Qualquer extrapolação é mera coincidência ou, em alguns casos, a afloração de uma regra de prudência mais lata.
Faz lembrar o Príncipe do Maquiavel.
"Viena" e "Amsterdão" - Guias American Express
Porém, pela primeira vez notei algumas falhas: edifícios interessantes que não estão assinalados, percursos de eléctrico que não estão descritos e deviam estar. Estes guias (em particular o de Viena) merecia ser revisto.
A árvore dos tesouros - Henri Gougaud
A julgar pelas zonas do globo que conheço melhor, nada disto. E nada mais. Por isso, é um punhado de gãos de areia por sedimentar: não fazem uma praia, porque são apenas uma ínfima parte da praia, não fazem uma pedra por não terem unidade. E depois do vento da memória, o que fica?
História Secreta de uma Novela - Mário Vargas Llosa (BM)
Leitura muito agradável (e curta).
2005/11/23
Nenhum Olhar - José Luís Peixoto
Uma escrita triste, uma história triste, uma opção pela tristeza, falando sempre do que corre mal mais do que do que corre bem, enfatizando os problemas, os dramas, a tristeza. É um livro deprimido.
A capa é muito bem escolhida (dá gosto passear um livro com uma capa tão bonita) e curiosamente a escrita de JLP tem afinidades claras com a pintura de Paula Rego no que ambas têm de cuidado, de força e de tristeza, de uma tristeza intencional, irremível, irreal.
Não, não gostei, sobretudo porque podia ter gostado muito.
2005/11/14
Memorias de Mis Putas Tristes
Ficamos sempre à espera de um momento de rasgo, de uma centelha de génio. Nada. Começo a duvidar que o Cem Anos de Solidão tenha sido escrito por Garcia Marquez.
2005/10/31

Desde criança que gosto de tourada e talvez por essa razão Verão Perigoso tenha sido o primeiro livro de Ernest Hemingway que eu li. Um bom ensaio, em que Hemingway descreve a Espanha da década de 50 e em particular as touradas. A razão de ser deste livro explica-se pelo convite feito pela conceituada revista Life para Hemingway fazer a cobertura do confronto entre António Ordóñes e Luís Miguel Dominguin, dois dos maiores toureiros de todos os tempos, que se iriam defrontar no Verão de 53. Um pequeno aparte para referir que este foi o derradeiro livro de Hemingway.
A forma como está escrito, com excelentes descrições, como convém a qualquer ensaio, faz com que o leitor possa “sentir” a Espanha de 50 e o fervor que Hemingway sentia pelas touradas. Para quem gosta de tourada ou para quem gosta do ambiente mediterrânico, dois factores pelos quais eu sinto um encanto muito particular, este é certamente um livro a não perder.

Ensaio publicado em 1997, De Profundis, Valsa Lenta é um livro muito particular escrito por José Cardoso Pires. Muito particular porque foi escrito depois de José Cardoso Pires ter recuperado de um acidente vascular cerebral. Talvez a única obra, é definitivamente a única que eu li, em que a pessoa que sobreviveu a um AVC decidiu escrever sobre esta experiência que deve ser certamente angustiante e dolorosa. Desde que li este livro que o considerei como um dos melhores ensaios que já li, tanto pela forma como está escrito, de uma forma sóbria que demonstra que o génio de José Cardoso Pires não saiu afectado, como pelo tema em questão e a vontade de descrever algo a que poucos sobrevivem. Mas para além do que eu posso dizer deste livro, penso que os dois prémios que a obra recebeu, o “Prémio D. Dinis” e o “ Prémio da Critica” atribuído pela Associação Internacional de Críticos Literários, demonstram a qualidade deste livro.
2005/10/10
Bookcrossing
Já agora fica a indicação de um site explicativo em português
Fantasia para dois coronéis e uma piscina - Mário de Carvalho
Vale muito a pena.
2005/09/10
Fernão Capelo Gaivota

Um pequeno grande livro é o mínimo que se pode dizer de “Fernão Capelo Gaivota” de Richard Bach. É a história de uma gaivota que decidiu aprender a voar, não se limitando a viver para comer, mas a voar para alargar o seu conhecimento. Excluída por ser considerada diferente e por ir contra as regras estabelecidas, Fernão Capelo Gaivota viaja e alarga os seus horizontes. Um dia percebe que mais gaivotas gostavam de aprender a voar e por isso ensina-as os segredos do voo, até que consegue fazer com que todas aprendam e que continuem a evoluir.
O voo que Fernão Capelo Gaivota queria é o inconformismo com as regras pré estabelecidas que nos limitam o conhecimento e a vontade de querer saber sempre mais, algo natural em todos os Homens, mas que devido a várias barreiras em que a principal é o auto-conformismo, acabam por matar essa condição natural. Este pequeno conto de Richard Bach tem a intenção de fazer perceber as pessoas que este conformismo não é natural e que deve ser abandonado. Os Homens devem usar as "asas" que Deus lhes deu para voar, voar até onde a imaginação alcança, até ao infinito!
2005/09/01
Baudolino
Baudolino é mais um magnifico livro de Umberto Eco. Um livro como outros deste autor, em que as descrições sobre a vida real da Idade Média são simplesmente brilhantes. Onde os acontecimentos reais estão presentes ao lado da fantasia.O fio condutor deste livro é a história e as aventuras de Baudolino, um plebeu com uma imaginação prodigiosa, nascido na Franscheta, e que por ironia irá integrar a corte do Sacro-Império como filho adoptivo do Imperador Frederico, o Barba Roxa.
Durante as aventuras de Baudolino e os seus amigos podemos contemplar a História real das lutas entre Frederico e o Papa, as cruzadas, a tomada de Constantinopla e etc…. Podemos também saborear as mitologias da época que culminam com a busca do Reino do Prestes João.
Um livro que qualquer pessoa que goste da Idade Media ou simplesmente de uma boa história deve ler.
2005/08/18
Da Carta de Taizé 2005 III
"No Evangelho, podemos descobrir esta realidade surpreendente: Deus não provoca nem medo nem inquietação, Deus só pode amar-nos.
Pela presença do seu Espírito Santo, Deus vem transfigurar os nossos corações.
E através de uma oração muito simples, podemos pressentir que nunca estamos sós: o Espírito Santo é em nós o amparo de uma comunhão com Deus, não apenas por um instante, mas até à vida que não tem fim."
Irmão Roger de Taizé
Da Carta de Taizé 2005 II
"É verdade que ao longo da história, os cristãos conheceram múltiplos abalos: surgiram separações entre os que, afinal, se referiam ao mesmo Deus de amor.
Restabelecer a comunhão é hoje urgente, não se pode adiar permanentemente até ao fim dos tempos.15 Será que fazemos tudo para que os cristãos despertem para o espírito de comunhão?16
Há cristãos que, sem mais demoras, vivem já em comunhão uns com os outros onde quer que estejam, muito humildemente, de forma muito simples.17
Através da sua própria vida, desejam tornar Cristo presente a muitos outros. Sabem que a Igreja não existe para ela própria mas para o mundo, para depositar nele um fermento de paz."
Irmão Roger de Taizé
Da Carta de Taizé 2005 I
"Vivemos num período em que muitos se interrogam: o que é a fé? A fé é uma confiança muito simples em Deus, um indispensável impulso de confiança, permanentemente retomado ao longo da vida.
Em cada um de nós, pode haver dúvidas. Elas não têm nada de inquietante. Queremos sobretudo ouvir Cristo murmurar nos nossos corações: «Tens hesitações? Não te inquietes, pois o Espírito Santo permanece em ti.»
Há quem tenha feito esta descoberta surpreendente: o amor de Deus pode também desabrochar num coração marcado pela dúvida."
Irmão Roger de Taizé
2005/08/16
Irmão Roger de Taizé

Não são só os responsáveis dos povos que constroem o
futuro.O mais humilde dos humildes pode contribuir para a
construção de um futuro de paz e de confiança.
Por muito poucos meios que tenhamos, Deus concede-
nos levar reconciliação aonde há oposições e esperança
aonde há inquietação. Convida-nos a tornarmos acessível,
através da nossa vida, a sua própria compaixão pelo ser
humano.
Se houver jovens que se tornem, através da sua própria
vida, artesãos de paz, haverá luz à sua volta.
Irmão Roger de Taizé, da Carta de Taizé 2004
Por ocasião da sua morte, recordo a confiança e a paz do seu sorriso, a força da sua oração, a simpatia da sua presença.
Para conhecer a Comunidade de Taizé
2005/08/14
Recordar Aljubarrota
De Deus guiada só, e de santa estrela,
Só pode o que impossível parecia:
Vencer o povo ingente de Castela.
Vês, por indústria, esforço e valentia,
Outro estrago e vitória clara e bela,
Na gente, assim feroz como infinita,
Que entre o Tarteso e Goadiana habita?” (Os Lusíadas, Canto VIII)
Apenas para recordar o 14 de Agosto de 1385.
2005/08/11
2005/08/02

Este é o título da última obra de José Rodrigues dos Santos. Um livro que nos conta o romance entre um Capitão do CEP e uma Belga. As descrições do percurso de cada uma destas personagens até ao seu encontro durante a Primeira Grande Guerra são excelentes. Durante a leitura torna-se evidente que o autor fez bastante trabalho de pesquisa, pois descrever a vida nas trincheiras não é fácil, tal como não é fácil descrever detalhadamente a vida rural de Portugal do séc. XIX.
António Manuel P. Silvério Guimarães



