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2010/04/14

Os Anagramas de Varsóvia

É certo que as temáticas de Zimler parecem ser sempre as mesmas, mas tenho de confessar que continuo a gostar muito deste autor. Além disso, as épocas e os locais são sempre diferentes e isso permite-nos distanciarmo-nos de eventuais repetições. E uma história empolgante e emocionante como esta é sempre um bom motivo para ler um livro. No entanto, o meu preferido continua a ser Goa ou o Guardião da Aurora.

2009/04/07

À Procura de Sana - Richard Zimler

Como apreciador da saga Zarco que sou, não posso dizer que este livro me tenha empolgado tanto como O Último Cabalista de Lisboa, Goa ou o Guardião da Aurora e, claro, A Sétima Porta.

No geral, gostei. Na realidade, não tinha grande curiosidade em ler este livro, mas após alguma "insistência" de uma amiga (que me disse para o ler, mas que me avisou que não era tão bom como os outros), decidi-me a dar-lhe alguma atenção. Pelo facto de não estar à espera de uma grande obra literária, as expectativas acabaram por ser superadas.

É uma história um bocado complexa (e a determinadas alturas um pouco desinteressante, especialmente quando é narrada a história da infância de Sana, por exemplo), mas o senhor Zimler já nos habituou a isso mesmo, não é verdade? O que acabou por me cativar mais neste livro foi mais o "ambiente" do que propriamente a história da busca de Sana. Ou seja, achei bastante interessante o retrato das relações entre palestinianos e israelitas e tudo o que está implicado, mais do que do resto (telefonemas e viagens para aqui e para ali e sei lá mais o quê). Quem gosta do Zimler, não se sentirá defraudado com este livro. Mas a quem não conhecer (ou não gostar), não recomendo que este seja um primeiro livro.

7 estrelas

2008/10/06

O Último Cabalista de Lisboa - Richard Zimler

Decidi iniciar com esta posta uma série de quatro apontamentos sobre um dos autores que tive o prazer de conhecer este ano: Richard Zimler. Uma amiga falou-me deste autor e, ao fazê-lo, deu-me a conhecer o facto de haver 4 livros que andavam à volta de diferentes ramos de uma família de judeus portugueses. Se curiosidade de ler os livros deste autor eu já tinha, esse foi o principal impulso para iniciar a "árdua" tarefa (mas muito agradável) de ler esses 4 livros de Richard Zimler. E mais do que ler, acho que os devorei! Para terem uma noção, acabei de ler O Último Cabalista de Lisboa no princípio de Agosto, dez (!) dias depois já tinha terminado o Goa ou o Guardião da Aurora e no segundo dia de Setembro já tinha despachado o Meia-Noite ou o Princípio do Mundo. A Sétima Porta acabei-a no princípio de Outubro.

Comecemos pelo princípio. Richard Zimler é um escritor norte-americano naturalizado português e radicado actualmente no Porto. Decidiu escrever sobre uma família de judeus portugueses. No entanto, não o fez de forma convencional. Imaginou vários ramos da família ao longo da História e, assim, escreveu a saga da família Zarco desde o início do século XVI até aos finais do século XX. Confusos?

A história da família Zarco começa com o livro O Último Cabalista de Lisboa, policial ambientado no século XVI que, para além de nos dar o mote para os restantes livros, relata de forma um pouco cruel (mas, por isso mesmo, realista), algo que tem sido afastado dos manuais de História: o massacre de judeus que ocorreu na capital portuguesa em 1506, incitado pelos dominicanos no Rossio. Foram mortos nesses dias de Páscoa cerca de 2000 judeus por serem os "culpados" da seca que grassava na cidade.

Esse é o ambiente, mas não o fulcral da narrativa. Berequias Zarco, jovem cristão-novo, descobre o seu tio assassinado no esconderijo da sua casa, em Alfama. Isso leva-o (a ele e a nós, felizmente, diria eu) a passear por uma Lisboa ainda agarrada à ignorância medieval numa busca incessante pelo assassino, enquanto os cristãos-velhos se vão entretendo a queimar judeus ou a decapitá-los.

O que é fantástico de ver neste relato é a capacidade incrível de um escritor norte-americano conseguir reconstruir a Lisboa da época e também os seus arrabaldes (Campolide, Benfica, Belém), mas também o facto de inventar uma história que, não sendo absolutamente verosímil, não deixa de ser interessante. É verdade que existem demasiadas personagens (o que pode confundir um pouco a leitura; a mim confundiu, pois por vezes eram resgatadas na narrativa personagens que tinham aparecido anteriormente, mas que eu já tinha esquecido), mas isso acaba por servir da melhor forma a história, tornando-a mais credível.

Este foi um dos meus livros preferidos da saga Zarco. Porque se passa em Lisboa, porque está magistralmente bem escrito (tudo na primeira pessoa, uma das formas de narrar mais difíceis de concretizar), porque agarra desde o princípio até ao fim, porque trata de um assunto sério nas entrelinhas, porque, apesar disso, consegue ter alguns momentos bastante humorísticos (veja-se o encontro de Berequias com o ferreiro de Benfica), enfim... porque sim. Gostei muito de ler este livro e, por isso, não posso deixar de recomendar a sua leitura.

9,5 estrelas