Acabei hoje mesmo de ler um livro de um autor com cujo nome me tenho deparado com muita frequência ultimamente. E foi sem dúvida uma leitura bastante agradável.
O livro conta a história de um homem que parte numa viagem pelo Mediterrâneo (e não só) em busca de um livro que atenuará os efeitos nefastos do Ano da Besta (1666). Este é o mote para que Amin Maalouf nos faça viajar pelas superstições europeias e médio-orientais, reconstituindo, não com grande rigor, mas ainda assim de forma satisfatória, todo o ambiente social, cultural e resligioso de meados do século XVII, na Europa e especialmente no Médio Oriente, dominado pelos Otomanos.
Claro que parece um pouco irrealista que a viagem de Baldassare seja motivada apenas pela crença supersticiosa de que um livro salve aquele que o possui, e além disso os acontecimentos que impelem o nosso protagonista a viajar cada vez para mais longe sucedem-se de forma algo inverosímil ou até mesmo folhetinesca. Mas conseguimos perfeitamente perdoar isso ao nosso amigo Maalouf, pois se há coisa em que ele tem jeito, é a narrar uma história e, por mais inverosímil que seja, não desilude em nada.
8 estrelas
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2009/01/18
2006/04/04
Origens - Amin Maalouf
Gostei muito deste livro. Deixou-me a pensar nos meus e nas suas histórias, naquelas que eu já deixei perder e nas que ainda posso recuperar.
Gostei também do Médio Oriente que podia ter sido, de que o autor quer falar, ao referir-se ao seu avô.
Tive pena que a história se cingisse a um homem - ou melhor a uma geração. Esperava, pelo início, que o autor tivesse ido além, procurasse outras gerações, deixasse um retrato de família mais completo.
Gostei particularmente da história cubana da família e da sua visita a essa história.
O início fez-me pensar um pouco nas histórias de família que deixamos entregues à erosão da "tradição oral". Restam-me dois avós e é tanto que eu desconheço das minhas origens. Tantas histórias que ouço, ainda hoje pela primeira vez. Tantas que eu ouço e relembro sem que verdadeiramente as conhecesse...! Há que aproveitar as vozes dos vivos enquanto as podemos ouvir. Depois apenas restarão as vozes dos mortos, e nem todos temos uma mala de arquivo familiar escrupulosamente desarrumado!
Gostei também do Médio Oriente que podia ter sido, de que o autor quer falar, ao referir-se ao seu avô.
Tive pena que a história se cingisse a um homem - ou melhor a uma geração. Esperava, pelo início, que o autor tivesse ido além, procurasse outras gerações, deixasse um retrato de família mais completo.
Gostei particularmente da história cubana da família e da sua visita a essa história.
O início fez-me pensar um pouco nas histórias de família que deixamos entregues à erosão da "tradição oral". Restam-me dois avós e é tanto que eu desconheço das minhas origens. Tantas histórias que ouço, ainda hoje pela primeira vez. Tantas que eu ouço e relembro sem que verdadeiramente as conhecesse...! Há que aproveitar as vozes dos vivos enquanto as podemos ouvir. Depois apenas restarão as vozes dos mortos, e nem todos temos uma mala de arquivo familiar escrupulosamente desarrumado!
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